domingo, 22 de julho de 2007

Clichês

Ela sempre ouviu que nenhum amor dura para sempre, que casado não é capado e que filho não segura homem.
Confirmou, por conta própria, sentença após sentença. E assim se viu, grávida e sem emprego, de volta à casa dos pais em Itaquera.
Chorou muito, pensou um pouco, convenceu-se de que para curar um amor só um novo amor e, escondida dos pais, planejou a volta à ativa.
O jeans da melhor amiga já não cabia em seus quadris, mas ninguém diria que ela estava grávida, só um pouco gordinha _garantiam as meninas. Com a cinta, então, não se via nada.
Na segunda caipirinha, veio o enjôo. Vomitou até a alma no banheiro do bar e, diante do espelho, sentiu-se triste e ridícula.
Mas passou.
Na segunda vez, teve o azar de encontrar o dito cujo com a talzinha. Deu escândalo, ouviu baixarias, ele levantou a mão e ela saiu correndo. Na fuga, torceu o pé.
No táxi, a caminho de casa, ouviu do motorista, indignado, que aquilo era um absurdo, que em mulher não se bate nem com uma flor.
Ela sorriu. Perguntou o nome dele.
Era Washington.
Que chique, ela comentou. E baixinho, para a barriga: quando você nascer, vai se chamar Washington.
Ele chutou!, ela gritou pro motorista, feliz e surpresa.
O taxista olhou para a moça, encantado.
E perdeu a direção do carro.

2 comentários:

débora disse...

Ai ai ai, eu vejo graça nas tragédias. Em algumas, pelo menos. Adorei, Ilis, você melhora com o tempo. Acho que agora vou assinar assim, "sua fã".

Ilis disse...

Tragédias e comédias são os lados diferentes de uma mesma folha de papel, não acha?
Lembrei agora de Melinda e Melinda, do Woody Allen.
bj